Banana e Pavão

USA - Route66 - San Diego / Los Angeles / Las Vegas

“É  Banana e Pavão- Dijag, Dijig, Dijog, Dijão...”

 

É isso mesmo, a viagem acabou em um belo blues....Mas vamos do começo. Saio do Panamá depois de uma semana na terra do já antigo “estadista” Fidel e sigo rumo a San Diego. Sem internet na terra onde Che reina até hoje não consegui falar com o companheiro de viagem, Mr. Pavão.

 

Escala em Dallas e após migração rumei a San Diego. As três horas de diferença que enfrentara em Cuba agora viraram seis.....isso mesmo, seis de 66. Cheguei no aeroporto e resolvi que desta vez iria me “aventurar” em algum ônibus para downtown. Fui até o balcão de informação onde um Senhor Bastante educado ao invés de me indicar o ponto de ônibus telefonou para o hotel onde fizera minha reserva: “Hi, my name is Tarzan, me want you....” rsrsrsrs a mulher respondeu “we are sending you a car”.....rrsrsr. Isso mesmo, o Hotel dispunha deste serviço e em 10 minutos me pegou no terminal 2.

 

Enquanto estou descendo da limusine já vejo o amigo na recepção. Encontro com muita alegria e comemoração e enquanto eu desfazia a pequena mochila verde já tomamos o primeiro pack de bud lite. Última revisão no roteiro e fomos encher a barriga em little Italy. Bom restaurante e já ali Pavão deu o primeiro sinal de fraqueza.....deixou comida no prato. Tomei uma tal de Pinero...acho que é isso...depois vê na foto (não sei se tirei...)

 

O dia seguinte seria intenso, afinal tínhamos que pegar as motos em lugar que não sabíamos chegar e depois seguir viagem. Tempo inacreditavelmente maravilhoso. Acordamos, comemos umas pancakes na 520 Front Street e fomos atrás das motos. Na loja da Harley em Kearny Mesa, Pavão e Banana já ficam malucos...loja grande e bem montada. Papelada pronta e jaqueta comprada (afinal eu realmente sé levei a mochila) fomos fechar a conta no Hotel. Não era um trajeto muito amigável..........pega a 8 depois a 5 e depois sei lá.... Além de me acostumar com a moto (Electra Glide) tinha que acertar o caminho. Mas pra quem quer andar por caminhos desconhecidos isto deve estar longe de ser um obstáculo.

 

Conta fechada e saímos pegando a 5 North e depois a 15 North, que sobe a Califa meio em diagonal. 10 minutos depois paramos e já estávamos em contato com uma paisagem bastante bonita. Claro, parada para fotos. Na saída não fechei direito o baú e após alguns metros ele levantou e eu vi objetos voando. Pavão parou, recuperou minha pescoceira mas disse, o forro da sua nova jaqueta se foi.....Fiquei bem decepcionado. Depois de uns 15 minutos parados seguimos viagem rumo à região de Barstow. Não há mapa oficial com rota 66 mas sabia que ela passava por aquela região pois troquei emails com alguns americanos antes da aventura. Uns 40 km após esta parada estamos pilotando a umas 100 mph (afinal estava nervioso) olho para o lado e vejo o forro balangando embaixo de uma carreta........ Carreta parada e tiozão devidamente fotografado. Se contar ninguém acredita, por isto estou escrevendo...rs

 

Seguimos pela 15 com o som nas alturas, dos carros, das carretas e o do rádio. Jamais havia pego uma estrada de “coquinho” coisa de loco. De repente vejo uma placa: “Route 66 next right”. Dou seta lá da pista da esquerda e saio rasgando no meio dos carros. Duas batidas ocorrem uma com dois carros e outra entre uma carreta e um carro.....(mentira mas assim a história fica mais emocionante). Entramos e já falo pro Pavão, que não ta entendendo nada.... “Já estamos nela”.....”Hããã”.. “É, já estamos na rota”....O menino quase chora, afinal essa é a segunda das três viagens a que se propôs fazer de moto. Nesta parte ela tem o nome de..........ah não vou dizer não....quem for que se vire.....rs..........mas é uma parte urbana, em San Bernardino. Onde tinha um indicação de que estávamos na danada parávamos e mais fotos. Ficamos um bom tempo nela até não saber mais se estávamos nela....rs e encontrarmos um bom motoricano (versão do bom samaritano de  moto) que nos indicou o restante. A 215, freeway e a própria também. Então fomos de 215, juntamos na 15 e paramos em Barstow, que estava no roteiro. Chegamos ao anoitecer.....com cara de bobos e não cansados. Uma coisa temos que admitir, essas motos de coxinha não cansam, tem apoio pra lombar, bolha e tudo mais......e com o vento que tava fazendo isso foi bem importante.

 

A principal rua de Barstow também é a danada. Várias indicações no chão e nos postes. Fotos....claro. De longe avisto um hotel com cara de antigo...pensei......Holiday Inn de merda não, vamos ficar nessa porra.......e os olhos do Pavão só brilhando. Entramos do “route 66 motel” www.route66motelbarstow.com – e não venham com brincadeiras porque todo mundo sabe que nos EUA motel é apenas um hotel de estrada. Muito bem atendido pelos indianas, senhora Miridu e pelo senhor Ved. Fechado o preço fomos dar uma volta pela danada e arrumar algo pra comer....afinal nossa última refeição tinha sido a pancake de San Diego.  Comida chinesa bem saborosa – quanto mais sujo o lugar mais saborosa a comida – e cerveja chinesa ingerida. Voltamos pro Hotel e tiramos fotos de todos os carros antigos...o Pavão enlouqueceu naquele lugar... Depois fomos a um típico bar americano de esportes (Hooz on First – 218 first av – Barstow), mas.............era Segunda então contava com apenas 10 pessoas. Mas foi muito legal, fizemos amizade com a bartender e ficamos bebendo lá umas 3 horas as cervejas locais e drinks que mocinha inventava.

 

Dia seguinte pegamos motos e seguimos a danada. Fomos ao museu da 66 mas ele só abria de sexta a domingo. A idéia era ir até a divisa do estado e depois subir pra Las Vegas. A 66 é loca...........os trechos nesta parte as vezes estão perto da 40 e as vezes mergulham no deserto de Mojave. Cemitério, casas abandonadas e ausência de seres humanos e não humanos e a ausência de veículos motorizados te levam realmente ao verdadeiro espírito da 66. Motocamos uns 30 minutos até que um carro passou. É ali que se pode entender o que o povo americano vivenciou ao sair de Chicago e abrir caminho para a terra das oportunidades. Aquilo é deserto. Aquilo é loco. Fico imaginando a galera migrando no meio do nada e depois de aprox 80 anos os dois brazucas despretensiosos ali......respirando aquele mesmo ar, acelerando, parando, rindo que nem bobo. Passa uma locomotiva cujo maquinista percebe que ali estão dois aventureiros e nos brinda com um sonoro: mhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa..... ou seria....fuooooooooooooooooooooooo? Paramos em Ludlow pra comer...tinha um posto 76 e umas gororobas que o avestruz, digo Pavão adorou. Lá um cabra ficou deslumbrado ao saber que éramos de SP e estávamos naquela aventura. Conversei uns 10 minutos e seguimos em direção ao final do trecho da Califa. Este foi um dos caras que me falou de Sturgis, maior encontro de moto dos EUA, com cerca de 100.000 pessoas. Chegamos no Arizona e subimos em direção a Nevada. Isto quer dizer que de certa forma fizermos um pequeno trecho da danada no Arizona. Thau 66.....e que venha Vegas.

 

Sempre de olho do sol, afinal no inverno escurece umas 17:30. Então enrolamos o cabo e já pegamos os primeiros ventos. A HD com bolha em velocidade acima de 100 mph fica absolutamente desestabilizada......(não sei se pelo vento, pela bolha, pela estrada com aqueles riscos para escoar água ou ...... tudo junto).  Sol quase indo embora e entramos em Las Vegas. Muito loco entrar naquela cidade a noite. É muita luz, muito cassino gigante....Eu já conhecia, mas de moto tudo é diferente. Olhava pro peakcock e ele com a mesma cara de besta. Paradas para pegar direções para main street (Strip bla bla bla) e lá chegamos. Não tinha reservas então parei no primeiro hotel. Era o four Seasons, único hotel sem cassino da cidade. Desfizemos as malas e fomos cada um pra sua suíte.....Brincadeira novamente, a diária era de apenas US$ 500.......rsrsrsrsrsrs. Resolvi apelar para o melhor amigo dos motociclistas estrangeiros: os taxistas. Ele me indicou outros três hotéis do tamanho do nosso bolso. Paramos e ficamos logo no primeiro. As vezes ficar cotando muita coisa pode te economizar uns US$ 10.....mas eu me pergunto, quanto vale o tempo em uma viagem. Quanto vale duas horas de procura por algo......? Muito mais que isso.

 

Outra vantagem das motos dos coxinhas é que é só abri os baús e alforges pegar as malas e subir. Nada de amarração de meia hora onde se fica cansado mesmo antes de subir nas motos. Demos um giro no grande avenida, vendo a arquitetura loca...esses caras gastam muita grana nos hotéis e jogando um black JACK (jogo oficial dos Solteiros) de vez um quando.

 

No dia seguinte fomos visitar a maior loja da HD do mundo. Realmente gigante. Comprei umas besteiras e seguimos para a loja da Arlen Ness. Bom aí é locura mesmo (resolvi tirar o “u” desta palavra mesmo e não encham o meu saco). Pedi pra responsável pra ver a oficina onde construíam as motos. Ela foi bastante solícita e nos levou pro tour. Coisa de loco mesmo. Avestruz me disse que esses caras tem mais moral que os OCC nos EUA. Eu acredito!

 

Foi nesta loja que me convidaram para um bar de motoqueiros. Peguei o endereço e prometi que iria. Mas antes tínhamos um compromisso. Como pendência de minha viagem de coxa há 10 anos tinha ficado um tour pelo Grand Canyon. Contratamos o passeio e fomos para o nosso Helicóptero. Cacete, que medo da porr.... Tava ventando demais este dia  e perigava de cancelarem o passeio... Lá fomos nós. Uma das melhores experiências da minha vida. 40 minutos passando pela barragem de Hoover e chegando ao Grand C. O Piloto desceu e ficamos lá tomando uma chanpagne....rsrsrsrsrsr. Na volta sobrevoou a main street. A noite a ventania já era bem forte. Então pegamos um táxi e fomos ao tal Bar. Mr. Ds. Bom, aquilo é balada de motociclista e me reservo ao direito de não comentar mais nada.

 

Dia seguinte queríamos subir em direção ao Napa, passando pelo Death, Yosemite mas as condições eram ruins. Neve e o scambal.....rsrsr. Como qualquer bom planejamento este também era flexível...então montamos e fomos para LA. Frio do cacete e eu de coquinho, pescoceira, gorro, luva, bota, chaps.......e ainda com frio. Quis dar uma forçada na moto e fui até 115 mph, puts aquele desestabilização aconteceu novamente. Achei que ia pro chão.......a moto começou a sair do controle balançando da direita pra esquerda e voltando pra direita......tirei a mão mas não adiantava. Enfiei a mão no freio e a moto voltou. Olho no retrovisor e vejo Pavão se aproximando..... Chegou perto e fez aquele sinal que fazemos quando queremos dizer que não passa nem fio no forevis. Depois conversamos e ele disse que só ficou esperando a merda acontecer vendo a moto indo pra lá e pra cá.... Alívio. Moto de coxinha tem lá os seus segredos e limitadores. Tínhamos pego a parte não urbana da 66, então agora iríamos pegar do ponto em que entramos pra direito (olhando de frente pro mapa) e entrar a esquerda até o píer. Este trecho é totalmente urbano...é a tal coisa, quanto mais se aproxima do litoral mais as pessoas vão se fixando. Apesar da sensação de estar na danada e completar o trecho histórico não havia o mesmo espírito que se encontra no deserto. Chegamos umas 21:00. Hotel em frente ao Píer.

 

Dia seguinte – fomos procurar uma loja especializada em VW, uma outra da Guzzi e rumamos para San Diego entregar as motos. Viagem bonita pela 5 south ao lado do oceano por vários momentos. Motos entregues às 5:40 (a loja fechava as 6). Pavão tava transtornado achando que ia morrer com US$ 300 pelo farol quebrado na 66 e eu achei que teria que morrer com uma grana......uma das antenas também foi pro saco na 66. Acho que os caras estavam com pressa de fechar e não mencionaram nada.

A noite fomos ao centro de San Diego, comemos algo e bora durmir. O sábado seria cheio também. Agora sem as motos fomos atrás do carro. No começo da viagem o Peakcock falou que tava afim de experimentar um Musta. Desejo concedido. Conhecemos outros motociclistas que não tiveram a mesma sorte que nós. Pegaram as motos em San Diego e foram demais pro lado direito em direção ao Joshua e ficaram no hotel o tempo todo em virtude do mal tempo e neve. O cabra falou novamente de sturgis e nos convidou par ir pra lá, deu telefone endereço e disse que arruma motos pra gente. É o espírito do motoclismo que está presente mesmo nos americanos. Pegamos o mustang e fomos até a borda ver a discrepância entre um lado da fronteira e  o outro. Bizarro mesmo, de um lado pobreza e do outro progresso. Cercas, helicópteros e carros policiando para garantir que os chicanos não passem pro lado “bom”....

Como o vôo de volta saia domingo de LA seguimos viagem. Hotel perto do teatro chinês. Fizemos as fotos de turista na calçada, jantamos muito bem e demos um giro na cidade.......acelarando o musta, claro. Dia seguinte mais fotos de turista perto da placa de Hollywood e bora pro aeroporto. No quarteira da locadodora não agüentamos e fizemos ele inteiro em segundo, pra ouvir o barulho do motor pela última vez.

Aqui termina mais esta aventura de dois Solteiros na Califa. “É o Banana e Pavão, Dijag, Dijig, Dijog e Dijão”.