O DIABO E OS SETE PECADOS CAPITAIS

O termo "diabo" tem a ver com o conceito da confusão, e, de maneira inquietante, com o conceito "Deus".

Nós, os ocidentais, somos produtos de uma tradição oficial que pinta o diabo com cores negativas, a saber, como opositor de Deus. Essa tradição parece querer esgotar-se.

Disse que a nossa tradição oficial concebe o diabo negativamente, como espírito sedutor, enganador e aniquilador de almas. Esses atributos diabólicos não precisam ser necessariamente valorizados de maneira negativa.

Toda a sinfonia da civilização, todo o avanço da humanidade contra os limites impostos pela Divindade, toda essa luta prometéica pelo fogo da liberdade, tudo isto não passa, do seu ponto de vista, de obra majestosa do diabo. Ciência, arte e filosofia são os exemplos mais nobres dessa obra. Se considerarmos como se desenvolveram essas atividades no curso da história, e como se distanciaram do pecado original ingênuo, teremos conseguido uma primeira visão dos múltiplos aspectos positivos do caráter do diabo.

Essa sabedoria ensina que o diabo recorre aos chamados “sete pecados capitais” para seduzir e aniquilar nossas almas. É evidente que a igreja, em sua propaganda antidiabólica, recorre a nomenclaturas um tanto tendenciosas ao denominar esses pecados. Chama-os de “soberba”, “avareza”, “luxúria”, “inveja”, “gula”, “ira”, e “tristeza ou preguiça”. No fundo são, no entanto, inócuos esses termos arcaicos, e facilmente substituíveis por termos neutros e modernos.

Soberba é consciência de si mesmo. Avareza é economia. Luxúria é instinto (ou afirmação da vida). Gula é melhora do standard de vida. Inveja é luta pela justiça social e liberdade política. Ira é recusa a aceitar as limitações impostas à vontade humana; portanto, é dignidade. Tristeza ou preguiça é o estágio alcançado pela meditação calma da filosofia. São estes, portanto, os métodos, pelo que nos ensina a igreja, aos quais o diabo recorre em sua tentativa de eliminar a influência divina.